5.1.16

Não se faz amigos trabalhando

A "louca dos gatos" poderia ser a "louca dos amigos".
Mas vão-se os amigos, ficam-se os gatos...

14.12.15

2015 - Balanço

2015 foi um ano sem dúvidas muito especial.
Entre altos e baixos, a única certeza que tenho é de que não foi sempre fácil.

Foi o ano em que eu mais cortei o cabelo.
Perdi a conta de quantas vezes passei a tesoura na cabeleira e junto com isso aprendi uma bela lição que eu lutava pra aprender por muito tempo: o desapego.

Desapego emocional, de paradigmas, de bens materiais...
Um ano de uma necessária reciclagem de quem eu era e do que eu tinha.
E foi muito importante deixar algumas coisas e pessoas irem, para que outras pudessem surgir...

Achei que explanaria por muito mais tempo sobre tudo isso, mas agora vejo que posso eleger a palavra de 2015 como sendo RECICLAGEM e dar uma bela resumida a partir daí.
Até mesmo porque nem tudo precisou ser necessariamente perdido.
Muita coisa pode ser reaproveitada, reutilizada, reinventada, assumindo uma nova forma e uma nova posição na minha vida, sem que eu precisasse abrir mão delas.

Acho que adquiri uma maturidade pra lidar com algumas situações e sentimentos que me proporcionaram um pouco mais de cautela também.

Redução drástica nos níveis de ansiedade - uma tendência que já vinha de alguns anos passados - fizeram com que eu ficasse muito menos frustrada e recebesse muito mais surpresas.
Assim foi mais fácil lidar com alguns momentos críticos.

A passagem de tempo merece destaque.
Respirar e sentir que certas coisas fogem do nosso controle e que para que aconteçam basta... es-pe-rar.

Aquele show que você quer ir, mas só vai acontecer daqui a 3 meses.
Aquela pessoa que você marcou várias vezes de encontrar, mas ainda não deu certo.
Aquela ferida que parece tão diariamente presente.
Aquela dor que muitas vezes insiste em permanecer.

Basta esperar.

É impossível e ninguém, repito, ninguém vai evitar que o sol nasça e se ponha no dia seguinte.
E no outro. E no outro.
E isso, magicamente, faz o tempo passar!

O show vai chegar. Oportunidades vão surgir. Nada vai dar errado pra sempre. Uma hora os fatores todos vão ser positivos e as coisas vão acontecer. A ferida diminui até sarar, e cicatrizes permanecem, mas não doem.
Não deixa de ser uma imensa lição sobre PACIÊNCIA.
E a cada dia mais eu entendo porque ela recebe o nobre título de virtude.

Mas o ano não podia ir embora sem deixar de me ensinar grandes lições que demandam profunda reflexão...

Ainda tenho um pouco de muita dificuldade em lidar com falta de reciprocidade por parte das pessoas, e esse fim de ano particularmente me trouxe sensações novas e realmente difíceis: a amizade não correspondida.

E eu que pensava que isso nem existia!
Mas eis que no auge dos meus 24 anos de vida, estou enfrentando esse novo desafio.

Amizade parece ser algo muito mais facilmente recíproca do que o amor.
A equação é simples: 2 pessoas se conhecem, compartilham gostos musicais, filosofia de vida, questões pessoais, dúvidas, conselhos, alegrias. E nem demanda uma convivência diária! Parece perfeito e tem tudo pra dar certo, não?

Mas daí simplesmente não rola. Como assim?

Uma se apega mais que a outra.
Você sente uma atração pelo estilo de vida daquela pessoa, por toda a bagagem de vida dela, o humor dela te faz bem, você sente saudade das piadas que ela conta, você tem vontade de perguntar sobre aquele sentimento ruim que a estava afligindo nos últimos dias, quando você está desestimulado ela surge cheia de energia e te contagia... Mas tudo soa estranhamente unilateral.

Esta pessoa parece ter o controle da situação de um modo que quando está disposta, a amizade acontece. E quando ela não quer: simplesmente te despreza.

Ela aparece com certa frequência te oferecendo tudo isso, mas quando você se empolga e corre pra abraçar tudo com afinco, parece inalcançável.
Ou a pessoa não se interessa muito pela sua bagagem de vida.
Ou não sente muita falta do seu humor, das suas piadas.
Não faz questão de ouvir sobre o momento excelente que você teve no fim de semana.
Não te questiona sobre aquele problema que você citou discretamente sem que ela perguntasse, na esperança de que isto virasse um assunto mais profundo entre vocês...
E a sensação que fica é essa mesmo: de que você é um idiota.

E uma sensação pior ainda toma conta: a de porque diabos você tinha que ter tomado ciência da existência daquela pessoa?
Você estava feliz vivendo sua vida com os amigos que já tem, até que aquela pessoa encantadora surge em seu caminho, te dá uma dose dela mesma; você degusta, adora, mas depois ela vira as costas como se você fosse totalmente desnecessária na vida dela.
Faz você questionar seu valor.
Será que eu não sou legal o suficiente pra ela?
Será que em algum momento ela vai precisar voltar atrás e se apoiar em mim de novo? Vai lembrar que estou aqui quando precisar de um ombro, um conselho, uma injeção de ânimo?
NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sentimento errado.


É, Thaís.
Acho que você estava certa no começo.
Não deve existir amizade não correspondida.
Será que isso virou paixão e eu não vi?

Será um dos primeiros dilemas que vou levar comigo para 2016?

17.10.15

Um é um monte

Mariazinha era dessas: tomava 1, 2, 3 cervejas.
Se estava num dia bom, era capaz de ficar tão feliz, se balançando na rede, ouvindo axés antigos, de 15 ou 20 anos atrás.
- Dessa ninguém lembra!
Seu pai ocupado, de um lado pro outro, sua mãe sentada por perto, ocupada.
"Continue ouvindo. Estou ocupada, mas to gostando de ouvir você ouvindo!"
E Mariazinha se chacoalhando na rede de um lado pro outro, entre um gole e outro.
Sozinha, mas totalmente plena.
E um por um vão-se embora.
Mariazinha então decide apagar as luzes e deitar na rede pra admirar as estrelas...
Mariazinha é dessas: começa uma noite bebendo, ouvindo axé e se chacoalhando na rede.
Termina deitada, ouvindo blues, olhando as estrelas, enquanto a sobriedade vem devagarinho...
E em nenhum momento se sentiu sozinha.
E era adequado - e não irônico - que terminasse a noite ouvindo "A banda de um homem só".

1.7.15

Sobre sentir saudade...

Saudade... Saudade... Saudade...

Saudade de tirar fotos, saudade do silêncio, saudade da viagem.
Saudade da galera. Saudade de ser do bando. De ter um.
Saudade dos programas. Saudade de mostrar a língua.
Saudade de virar concreto. Saudade daquela roupa.
Saudade daquela menina. Saudade daquele chão.
Saudade daquela disposição. Saudade do cabelo.
Saudade da Inés. Saudade da Pâmela.
Saudade de formar. Saudade do Orkut.
Saudade do MSN. Saudade do Fórum lonjão.
Saudade dos colares.
Saudade da sensualidade. Saudade da criatividade.
Saudade da novidade.
Saudade da novidade!
Saudade do meu Motorola "Rockr".
Saudade do sangue.

25.6.15

Mesmo que a façam chorar.

As pessoas altamente sensíveis já receberam muitos rótulos no passado – foram descritas como frágeis, excessivamente emotivas ou intensas. Mas a pessoa altamente sensível é muito mais que lágrimas e sentimentos em abundância.
As pessoas de personalidade empática são biologicamente condicionadas a ter o comportamento que têm. Por isso sua abordagem ao ambiente físico em volta é totalmente diferente, e isso não é necessariamente algo negativo.
Veja a seguir algumas maneiras em que as pessoas altamente sensíveis interagem com o mundo em volta diferentemente de suas contrapartes mais “casca grossa”.

O ambiente que a cerca pode facilmente ser estímulo excessivo para uma pessoa altamente sensível.
Barulho alto, muita gente em volta, decisões importantes a tomar – tudo isso é difícil de ser suportado por uma PAS, especialmente se ela tem pouco tempo de calma e solidão para se recuperar. Isso é porque a resposta emocional da PAS é muito ativa, diz Elaine Aron, autora de Use a Sensibilidade a Seu Favor – Pessoas Altamente Sensíveis e uma das primeiras pesquisadoras científicas a debruçar-se sobre esse traço de personalidade.
“Isso acontece porque a PAS processa tudo em volta com muita profundidade”, disse Aron ao Huffington Post. As PASs processam o ambiente que as cerca e os acontecimentos da vida com base em suas emoções. Assim, quanto mais intensas e avassaladoras as circunstâncias, mais profundamente elas sentem.


A PAS capta as sutilezas presentes no ambiente onde estão.
Você mudou as coisas de lugar em sua sala? Sua mulher disse algo que o magoou no jantar? As pessoas sensíveis captam muitas nuances sutis, diz Aron, quer sejam coisas concretas ou estados de ânimo emocionais. “Há uma intuição em relação ao que as cerca, em relação a coisas das quais outras pessoas geralmente não têm consciência”, ela explicou.
Essa intuição também as guia em seus próprios relacionamentos. As PASs captam atitudes diferentes que podem passar despercebidas de outras pessoas. Se você mudar o tom de voz ou mandar uma mensagem de texto em tom mais curto e grosso que o normal (por exemplo, usando pontos finais em vez de pontos de exclamação), é provável que a pessoa altamente sensível perceba.


As PASs são mais emocionais em seus relacionamentos.
As pessoas altamente sensíveis querem e precisam de relacionamentos profundos. As pesquisas de Aron mostraram que as pessoas sensíveis tendem a ficar mais entediadas no casamento, principalmente porque, com o tempo, a interação profunda entre o casal pode ir se rendendo à rotina. Mas isso não é necessariamente negativo. Aron diz que a falta de interações significativas não quer necessariamente dizer que uma PAS vai abandonar o barco – vai apenas motivá-la a buscar conversas mais estimulantes.
Para uma pessoa altamente sensível, a chave para um relacionamento bem-sucedido está em transmitir ao outro o que ela deseja do relacionamento e encontrar um parceiro que entenda que suas emoções fazem parte de sua natureza. “As pessoas sensíveis não podem deixar de expressar o que sentem”, diz Aron. “Elas mostram sua raiva, mostram sua felicidade. É fundamental que seu parceiro aprecie isso.”

Às vezes a pessoa altamente sensível prefere voar solo.
As PASs funcionam melhor em ambientes mais calmos, especialmente no local de trabalho, diz Aron. “Os escritórios de plano aberto muitas vezes não são ambientes produtivos para elas”, explica a psicóloga. Essa preferência por operar a sós pode aplicar-se também às atividades de lazer, fora do escritório. Ted Zeff, pesquisador e autor de vários livros sobre as características da personalidade altamente sensível, disse anteriormente ao HuffPost que as PASs muitas vezes também evitam os esportes ou atividades físicas em grupo, porque têm a impressão de que cada gesto seu está sendo observado.


As PASs podem ser mais sensíveis a cafeína e álcool.
Esse não é o caso sempre, com certeza, mas Aron diz que os autotestes que ela aplicou em sua pesquisa indicam que, na média, as PASs podem ter mais sensibilidade a estimulantes, como cafeína, e substâncias como o álcool. E a fome também as incomoda mais.

Conflitos ou desavenças as deixam ansiosas.
As PASs têm dificuldade em lidar com conflitos e desentendimentos, diz Aron.
Elas têm duas abordagens diante dessas situações, e uma está em guerra com a outra. “As pessoas sensíveis se sentem divididas entre defender o que consideram justo ou se abster de intervir, porque não querem provocar uma reação violenta de outras pessoas”, disse Aron. “Elas são muito sensíveis aos ambientes em que são julgadas por sua sensibilidade ou por qualquer outra coisa.”
Por outro lado, as pessoas altamente sensíveis possuem o dom de lidar de modo racional com os desentendimentos. Graças a seus altos níveis de empatia, elas conseguem colocar-se na posição da outra pessoa e enxergar seu lado da discussão, explicou Aron.


Em última análise, o que a pessoa sensível precisa fazer é abraçar essa característica de sua personalidade e não combatê-la. “As pessoas altamente sensíveis dão ótimas líderes, amigas e parceiras”, diz Aron. Em outras palavras: continue a ter esses sentimentos, PAS, mesmo que a façam chorar.



Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2015/06/22/pessoas-sensiveis_n_7639340.html

22.6.15

Merda

Mariazinha experimentara vários tipos de ódio ao mesmo tempo.
Mariazinha instantaneamente ferveu mais que o chá que acabara de servir nas canecas.
Imaginou o som que faria quando uma delas se explodisse na parede, imaginou a figura abstrata do chá se expandindo para todas as direções, e depois para o chão.
Segurou-se em si como se no mais firme apoio, respirou fundo.
Lembrou-se das sensações ruins que vêm depois.
Lembrou-se da bagunça que fica pra limpar, lembrou-se das cicatrizes ainda recentes.
Mas ainda era sangue que corria em suas veias.
Sangue latente, quente, urgente.
Mariazinha gritou pra um, gritou pra dois, gritou pra três.
Ninguém ouviu.
Mariazinha olhava desesperançosa pros "vistos" cinzas. Eles não ficariam azuis, e ela não podia fazer nada pra mudar isso.
Foi quando seu rosto se molhou em lágrimas.
Mariazinha sente forte essa dor que é não poder contar com ninguém. Mas só chora mesmo pela revolta de ter tido alguém pela metade.
O sangue envenenado faz Mariazinha fazer merda.
E de repente um "visto" cinza vira dois, e depois ficam azuis.

Mas a merda já tinha sido feita...

11.6.15

Ah, Chico, pelo amor, né...

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas tuas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estou me fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

9.6.15

Segunda-feira à noite

Mariazinha mal conseguia acreditar no que não tinha visto - mas lido.
Anos de uma convicção pura jogados fora em uma frase.
As palavras viajavam em sua mente, colidindo em sua cabeça, causando uma enxaqueca enorme.
"Albatroz... beira do palco... sertanejo... sexta-feira"
A revolta que ela sentiu era um sentimento novo.
Mariazinha brigou com as amigas, com os pais, bateu porta.
Chorou, se isolou. Não conseguia raciocinar.
Levou mais de um dia pra Mariazinha perceber que o que tinha acontecido na noite passada era o mais puro sentimento de ter sido traída.
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."

Qual o sopro de vida que foram capazes de oferecer a ele e que ela não foi?

Não importa.
As frases que antes soaram como navalhas entrando e saindo de sua pele, agora eram interpretadas de outra forma: sutura. Sem anestesia.

Doía, mas curava.