28.3.12

Espetáculo

Chegar ao ponto de estar tão colados
Que perde-se o contato visual
De modo a apurar todos os outros sentidos

E o que se capta é um deslize
Um deslize que impulsiona uma reação em cadeia
Um contra ataque
O despertar de um instinto
A resposta natural àquilo que é sempre esperado
Mas que quando chega, sempre surpreende

Nenhuma palavra, nenhum acordo
Apenas os olhos e os pulsos
Indicando o caminho praquilo que vai se tornar um repertório único

Sem aplausos, sem plateia
E um show nada convencional
Que só deve começar justamente quando as cortinas se fecham...

26.3.12

"CALA-TE, CÉREBRO"

Pode ser que você chegue a um estágio na depressão em que passa a desejar tanto o bem dos outros, se satisfazer tanto com a felicidade alheia, simplesmente por não se achar merecedor de tudo aquilo.

- Eu disse pra se calar!

Que isso?

Isso não é gostar.
Isso é querer possuir.

Isso não é desejo.
Isso é obsessão.

Isso não é querer estar junto.
Isso é desespero.
Talvez uma fuga de qualquer outra realidade menos favorável.

Isso não me agrada.
Isso me assusta.

Vontades estranhas

Me apaixonar, ser livre, voltar, ter nas mãos.
Engordar.
Sentir frio.

Comer pizza com coca-cola, deitar embaixo das cobertas e deixar o peso vir.
Depois flutuar.

Comer chocolate.
Deixar o vento bagunçar o cabelo.

Pular na água.
Secar-se no sol.

Depois sentir frio.
Sentir a noite.
Sentir o fogo.
Ouvir musica.

Sorrir.
Suspirar.

Sentar na pedra.
Sujar-se na terra.
Sentir o perfume.
E o carinho...

Desacreditar.
Não dormir.
Ou dormir.
E sem medo de não ser real.