14.12.15

2015 - Balanço

2015 foi um ano sem dúvidas muito especial.
Entre altos e baixos, a única certeza que tenho é de que não foi sempre fácil.

Foi o ano em que eu mais cortei o cabelo.
Perdi a conta de quantas vezes passei a tesoura na cabeleira e junto com isso aprendi uma bela lição que eu lutava pra aprender por muito tempo: o desapego.

Desapego emocional, de paradigmas, de bens materiais...
Um ano de uma necessária reciclagem de quem eu era e do que eu tinha.
E foi muito importante deixar algumas coisas e pessoas irem, para que outras pudessem surgir...

Achei que explanaria por muito mais tempo sobre tudo isso, mas agora vejo que posso eleger a palavra de 2015 como sendo RECICLAGEM e dar uma bela resumida a partir daí.
Até mesmo porque nem tudo precisou ser necessariamente perdido.
Muita coisa pode ser reaproveitada, reutilizada, reinventada, assumindo uma nova forma e uma nova posição na minha vida, sem que eu precisasse abrir mão delas.

Acho que adquiri uma maturidade pra lidar com algumas situações e sentimentos que me proporcionaram um pouco mais de cautela também.

Redução drástica nos níveis de ansiedade - uma tendência que já vinha de alguns anos passados - fizeram com que eu ficasse muito menos frustrada e recebesse muito mais surpresas.
Assim foi mais fácil lidar com alguns momentos críticos.

A passagem de tempo merece destaque.
Respirar e sentir que certas coisas fogem do nosso controle e que para que aconteçam basta... es-pe-rar.

Aquele show que você quer ir, mas só vai acontecer daqui a 3 meses.
Aquela pessoa que você marcou várias vezes de encontrar, mas ainda não deu certo.
Aquela ferida que parece tão diariamente presente.
Aquela dor que muitas vezes insiste em permanecer.

Basta esperar.

É impossível e ninguém, repito, ninguém vai evitar que o sol nasça e se ponha no dia seguinte.
E no outro. E no outro.
E isso, magicamente, faz o tempo passar!

O show vai chegar. Oportunidades vão surgir. Nada vai dar errado pra sempre. Uma hora os fatores todos vão ser positivos e as coisas vão acontecer. A ferida diminui até sarar, e cicatrizes permanecem, mas não doem.
Não deixa de ser uma imensa lição sobre PACIÊNCIA.
E a cada dia mais eu entendo porque ela recebe o nobre título de virtude.

Mas o ano não podia ir embora sem deixar de me ensinar grandes lições que demandam profunda reflexão...

Ainda tenho um pouco de muita dificuldade em lidar com falta de reciprocidade por parte das pessoas, e esse fim de ano particularmente me trouxe sensações novas e realmente difíceis: a amizade não correspondida.

E eu que pensava que isso nem existia!
Mas eis que no auge dos meus 24 anos de vida, estou enfrentando esse novo desafio.

Amizade parece ser algo muito mais facilmente recíproca do que o amor.
A equação é simples: 2 pessoas se conhecem, compartilham gostos musicais, filosofia de vida, questões pessoais, dúvidas, conselhos, alegrias. E nem demanda uma convivência diária! Parece perfeito e tem tudo pra dar certo, não?

Mas daí simplesmente não rola. Como assim?

Uma se apega mais que a outra.
Você sente uma atração pelo estilo de vida daquela pessoa, por toda a bagagem de vida dela, o humor dela te faz bem, você sente saudade das piadas que ela conta, você tem vontade de perguntar sobre aquele sentimento ruim que a estava afligindo nos últimos dias, quando você está desestimulado ela surge cheia de energia e te contagia... Mas tudo soa estranhamente unilateral.

Esta pessoa parece ter o controle da situação de um modo que quando está disposta, a amizade acontece. E quando ela não quer: simplesmente te despreza.

Ela aparece com certa frequência te oferecendo tudo isso, mas quando você se empolga e corre pra abraçar tudo com afinco, parece inalcançável.
Ou a pessoa não se interessa muito pela sua bagagem de vida.
Ou não sente muita falta do seu humor, das suas piadas.
Não faz questão de ouvir sobre o momento excelente que você teve no fim de semana.
Não te questiona sobre aquele problema que você citou discretamente sem que ela perguntasse, na esperança de que isto virasse um assunto mais profundo entre vocês...
E a sensação que fica é essa mesmo: de que você é um idiota.

E uma sensação pior ainda toma conta: a de porque diabos você tinha que ter tomado ciência da existência daquela pessoa?
Você estava feliz vivendo sua vida com os amigos que já tem, até que aquela pessoa encantadora surge em seu caminho, te dá uma dose dela mesma; você degusta, adora, mas depois ela vira as costas como se você fosse totalmente desnecessária na vida dela.
Faz você questionar seu valor.
Será que eu não sou legal o suficiente pra ela?
Será que em algum momento ela vai precisar voltar atrás e se apoiar em mim de novo? Vai lembrar que estou aqui quando precisar de um ombro, um conselho, uma injeção de ânimo?
NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sentimento errado.


É, Thaís.
Acho que você estava certa no começo.
Não deve existir amizade não correspondida.
Será que isso virou paixão e eu não vi?

Será um dos primeiros dilemas que vou levar comigo para 2016?

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