9.6.15

Segunda-feira à noite

Mariazinha mal conseguia acreditar no que não tinha visto - mas lido.
Anos de uma convicção pura jogados fora em uma frase.
As palavras viajavam em sua mente, colidindo em sua cabeça, causando uma enxaqueca enorme.
"Albatroz... beira do palco... sertanejo... sexta-feira"
A revolta que ela sentiu era um sentimento novo.
Mariazinha brigou com as amigas, com os pais, bateu porta.
Chorou, se isolou. Não conseguia raciocinar.
Levou mais de um dia pra Mariazinha perceber que o que tinha acontecido na noite passada era o mais puro sentimento de ter sido traída.
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."
"Ele não parecia estar com saudade de vc..."

Qual o sopro de vida que foram capazes de oferecer a ele e que ela não foi?

Não importa.
As frases que antes soaram como navalhas entrando e saindo de sua pele, agora eram interpretadas de outra forma: sutura. Sem anestesia.

Doía, mas curava.

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