24.5.15

Mariazinha procura um amor...

Alguém que não se importe se ela tirar uma tarde pra ela e as amigas em casa.
Que não fuja pra longe nessa hora, ou se sinta na obrigação de ter que arrumar um programa também.
Que, pelo contrário, pense em ficar por perto caso ela precise de algo.
Que não se importe em ouvir "Amor, faz pipoca pra gente?".
E que, de surpresa, junto com a pipoca leve também uma panela de brigadeiro de colher e entre no quarto dizendo "Gente, cuidado que ta quente".
E que ache no mínimo engraçado e extremamente previsível ouvir todas aquelas vozes femininas dizendo em coro "Aaaaaah, que delicia! Que fofo seu namorado, Mariazinha! Brigada, Fulano!"
E que saiba que quando sair do quarto, se fizer um esforço, vai poder ouvir as amigas dela falando pra ela "Nossa, que sortuda você! Meu namorado nunca faria isso!".
E que, mais tarde, quando as meninas fossem embora, abrisse uma garrafa estratégica de vinho "Agora você tem um tempinho pra mim?" pra depois ficar admirando os olhos de Mariazinha, onde daria pra ler as frases "Eu tenho o melhor homem do mundo. Estou completa".
E depois então ser devidamente recompensado, e com razão, pelas suas atitudes de melhor namorado do mundo.

Mariazinha sabe quais são as chances de viver um amor assim.
Mas não desiste de sonhar...
Mariazinha é muito, muito romântica...

Calabresa acebolada com pimenta biquinho

Mariazinha está sozinha, mas quase nunca em paz.
Constantemente, Mariazinha se pega pensando no que poderia estar fazendo se ainda estivesse com ele.
Mariazinha exigiria mais noites de cinema a dois.
Exigiria mais barzinhos e churrascos com os casais de amigos dela.
Mariazinha ofereceria mais tardes com os amigos dele do futebol.
Mariazinha pensa na cerveja gelada que estaria na geladeira, nas porções de tira-gosto que ela prepararia com o maior prazer e até nos jantares que ela cozinharia pra ele e os amigos dele.
Mariazinha acha importante que os amigos sejam mantidos por perto, apesar do cinema a dois.

Mariazinha tem medo.
E se os amigos de um próximo amor não forem legais com ela?
Mariazinha pensa demais, demais...

20.5.15

Mariazinha

Mariazinha era uma menina peculiar.
Mariazinha tomava chá verde com açúcar.
Mariazinha às vezes era má compreendida, mas só tinha boa vontade.
Mariazinha ganhava presentes e tinha dó de consumi-los.
Mariazinha sonhava com um mundo onde tudo durava pra sempre.
Mariazinha conheceu um moço. Esse moço morava muito longe.
Ele sempre desejava que Mariazinha estivesse disponível pra ele. E ela desejava o mesmo de volta.
Mariazinha ficava quando ele pedia. Ele não.
Aos poucos, Mariazinha entendeu que podia dizer "Não" até pra quem se gosta.
A vida seguiu e Mariazinha conheceu outro moço.
Esse moço era músico!
Mariazinha ia em todos os shows do moço.
Mariazinha dormia na mesa, mas não ia embora.
Mariazinha não curtia só a parte boa.
Mariazinha ajudava a carregar o som, a montar o som, a medir o som.
No fim da noite, Mariazinha, ajudava a desmontar o som, curtia com o moço, carregava o som.
Mariazinha foi embora pra casa a pé várias vezes, com frio, cansada, carregando peso.
Mas sempre  do lado do moço.
Mariazinha, na maioria das vezes, ficava sozinha na mesa vendo o moço.
As pessoas tinham dó dela.
Mas ela não via problemas, porque sentia prazer de estar com aquele moço.
Mariazinha estava sempre lá. O moço nem sempre.
Mariazinha às vezes pedia música de fora do repertório, mas o moço não tocava.
Depois de fazer terapia, Mariazinha entendeu que ninguém tem o direito de fazê-la se sentir não digna de merecer algo.
E então Mariazinha sentiu que não podia mais se permitir sentir-se não-recompensada.

Tem gente que faz análise superficial da Mariazinha.
Não a conhece, não sabe o que ela tem a oferecer e, principalmente, não sabe do que ela precisa pra se reinventar e seguir.
Tem gente que diz que Mariazinha não pode dar algo esperando outro algo em troca.
Mariazinha às vezes era má compreendida.
Mas só tinha boa vontade.

13.5.15

Um namorado?

Um namorado pra ir pro boteco;
Um namorado pra ouvir música junto;
Um namorado pra comer fondue;
Um namorado pra falar de futebol;

Um namorado pra criticar seus amigos;
Um namorado pra recusar seus programas;
Um namorado pra não te buscar no trabalho;

É... Toda moeda tem dois lados...

2.5.15

Síndrome de Penny

Porque sempre que eu saio com casal de amigos, acho o papo dos caras bem mais legal que o das meninas?

1.5.15

Armazém de ideias

Chega o primeiro casal.
Animados, leves!
Cumprimentam um a um, individualmente, com um beijo, um abraço e um sorriso acolhedor.
Sentam-se à mesa e o papo tem início com piadas baratas e batidas de mesa de bar.
"Chegaram depois pra não precisar pegar fila, né? haha"
Logo em seguida, tem início uma conversa entre duas amigas.

No meio da conversa, sem cerimônia, o cara agarra a namorada com um abraço de urso e a puxa de forma bastante carinhosa pro seu peito. O abraço dura por longas frases, e é seguido de vários beijos apaixonados no cabelo da moça, enquanto ela mantém o papo com a amiga como se nada tivesse acontecendo.
Quase no fim do assunto, ele a solta e ela retorna pra sua posição ereta.
Apesar da falta de manifestação dela, dá pra ver que sentada bem à minha frente existe uma namorada segura, acolhida, feliz.
E os olhos do namorado não escapam dos delas, satisfeito, entregue.

Não demora e o segundo casal também chega.
A leveza é tamanha quanto a do primeiro casal.
Igualmente cumprimentam a todos, um a um, beijos e abraços.
Sentam-se, inteiram-se de tudo, comentam do clima.
Um pouco mais contidos, mas claramente felizes em estar ali.

O namorado, pra contradizer minha teoria de que homem carinhoso é raro e que eu devia me conformar com isso, abraça a namorada por diversas vezes durante a noite, beija seu rosto, a olha como se fosse o seu bem mais precioso atualmente, olhar que ela retribui com sorrisos de "Obrigada! Obrigada pelo carinho, pela companhia, por ser meu porto seguro, por ser meu.".

E a noite continua com alguns dogmas meus sendo desconstruídos.
O que será que eu deixei de inspirar para não ser mais abraçada, mais beijada, mais contemplada, mais apaixonante?

Teve Halloween no 201!


Olhar essa foto me traz tanta alegria!
Ela me lembra de tudo o que podia dar errado.
E me lembra que realmente deu tudo errado mesmo!

Mas o mais importante, ela me lembra que às vezes vale  a pena ser cabeça dura!
Eu bati o pé, insisti na ideia e no fim deu tudo certo!

Faltou comida, sobrou bebida!
Faltou espaço, sobrou amor!

Êta, halloween "horrível"!

De toda a sujeira que ficou no apêzinho, tem uma que impregnou em mim e que eu não consegui limpar até hoje: essa saudade!



27.4.15

Entre Buffalos, Dylans e blues menores.

Acho que enquanto eu continuar acreditando que minha vida será como nos filmes, eu não vou ser feliz.

Andar pelas ruas com White Buffalo de trilha sonora particular, achando que no meio do caminho vou ser surpreendida pelo amor da minha vida.

Ou fazer um drama, sofrer, adoecer e pensar que numa sexta à noite minhas amigas vão abrir mão da vida delas pra me fazer uma visita regada a abraços, doces e cobertores e no fim tudo vai ficar bem, com muitas risadas e um abraço coletivo.

Posso pensar que é mais fácil pros outros.
Os outros com seus namorados, seus filhos, seus estudos, seus esportes, suas músicas, suas vidas ocupadas, preenchidas, completas.
Enquanto eu... eu não tenho ninguém.

Eu só tenho meus pais, meu irmão, meus gatos, eu mesma.

Mas eu tenho meus pais, meu irmão, meus gatos, eu mesma!