1.5.15

Armazém de ideias

Chega o primeiro casal.
Animados, leves!
Cumprimentam um a um, individualmente, com um beijo, um abraço e um sorriso acolhedor.
Sentam-se à mesa e o papo tem início com piadas baratas e batidas de mesa de bar.
"Chegaram depois pra não precisar pegar fila, né? haha"
Logo em seguida, tem início uma conversa entre duas amigas.

No meio da conversa, sem cerimônia, o cara agarra a namorada com um abraço de urso e a puxa de forma bastante carinhosa pro seu peito. O abraço dura por longas frases, e é seguido de vários beijos apaixonados no cabelo da moça, enquanto ela mantém o papo com a amiga como se nada tivesse acontecendo.
Quase no fim do assunto, ele a solta e ela retorna pra sua posição ereta.
Apesar da falta de manifestação dela, dá pra ver que sentada bem à minha frente existe uma namorada segura, acolhida, feliz.
E os olhos do namorado não escapam dos delas, satisfeito, entregue.

Não demora e o segundo casal também chega.
A leveza é tamanha quanto a do primeiro casal.
Igualmente cumprimentam a todos, um a um, beijos e abraços.
Sentam-se, inteiram-se de tudo, comentam do clima.
Um pouco mais contidos, mas claramente felizes em estar ali.

O namorado, pra contradizer minha teoria de que homem carinhoso é raro e que eu devia me conformar com isso, abraça a namorada por diversas vezes durante a noite, beija seu rosto, a olha como se fosse o seu bem mais precioso atualmente, olhar que ela retribui com sorrisos de "Obrigada! Obrigada pelo carinho, pela companhia, por ser meu porto seguro, por ser meu.".

E a noite continua com alguns dogmas meus sendo desconstruídos.
O que será que eu deixei de inspirar para não ser mais abraçada, mais beijada, mais contemplada, mais apaixonante?

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