A dupla sentava-se lado a lado, posicionados na diagonal, o corpo de ambos voltados um para o outro, a cerca de um metro de distância, e a mente distante, olhos mirando o fim de tarde. Mariazinha nunca havia visitado um porto. Ambos curtiam um silêncio confortável. Tinham sempre muito o que conversar, mas a verdadeira conexão sempre se fez no silêncio. Acostumaram-se à contemplação.
- Será que é a gente?
- O que?
- As histórias que eles contam. Será que são sobre a gente? Será que nós somos eles?
- Como assim? Do que você tá falando? Tá doida?
- Não!!! Eu to falando o seguinte: será que esse tempo todo a gente tava só se perdendo nos outros? Pra depois se encontrar de novo?
Ele ficou mudo.
Mas emitiu uma micro expressão de felicidade.
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