9 meses de convivência "forçada" com as mesmas duas únicas pessoas.
Pronto, já é o suficiente pra trazer lágrimas aos olhos.
Eu as contenho antes mesmo que elas os façam brilhar.
Virou hábito soterrar emoções.
Tanto sofrimento em virtude da solidão, do isolamento.
Até pouco tempo atrás, tudo o que eu desejava era a presença e o assunto.
Mas a verdade é que vocês não me interessam mais.
Para além de desinteressantes, mostraram-se fúteis, egoístas, repelentes, indesejáveis.
Disseram que nunca mais viveríamos como antes.
Estar viva pra conferir isso de perto tem sido um ato de resistência.
Muitos pensamentos de auto-extermínio. Muitos, muitos.
Me protegem os fatos de que eu talvez não teria a perícia e nem a coragem.
Me assusta o perigo de acontecer num impulso. Da forma errada, sem timing, sem recurso.
Não, eu não o faria.
Condenada a sofrer sem cessar, minha penitência parece estar só começando, afinal, faz poucos dias que me dei conta de que não estou triste, sou.
Ser triste sem motivo é a parte mais triste.
Ser triste sem direito a sê-lo é a parte mais cruel.
Vasculhar em tudo que é canto pra procurar o motivo de tanta tristeza é tortura.
E é resposta encontrar o desemprego, a juventude que se foi, a solidão, a ignorância, a carência.
Nenhuma perspectiva pro futuro.
Nenhum sonho realizado.
A identificação de o que é ter um verdadeiro sonho.
O contraponto acerca dos antigos delírios que se passavam por sonhos.
Ou a percepção de que sim, sonhava, mas deles dei cabo?
Essa cegueira ao olhar pra frente.
A dúvida, o medo, ao olhar pros lados.
Pra trás... eu procuro não olhar.
Pelo menos não de propósito, já que tenho vivido há tanto tempo usando os óculos do passado.
Um dia
Depois
Do outro
Hoje é mais um dia
E amanhã hoje é um dia a menos.

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