Vamos nos perder.
Não consigo imaginar outro cruel destino que não a gente se perdendo.
Armadilhas cotidianas, roubadelas da rotina, desvios diários.
E, de repente... "Qual era o projeto dele para o fim da faculdade mesmo?"
"Qual a cor que ela odiava usar mesmo?"
"Por que não vimos aquele filme aquele dia?"
"Por que ela prefere kibe com limão, e não com catchup?"
E aquela coluna de metal, que um dia foi testemunha do começo de tudo, no começo do fim vai se tornar a promotora, acusadora, apontadora de tudo o que estaremos deixando ir...
Todas as risadas compartilhadas, músicas que nos embalaram, filmes vistos, viagens que não foram feitas...
E depois, vai virar apenas mais uma coluna.
Estática e fria.
Imparcial, indiferente, intocada e esquecida.
E ainda depois, junto com ela, viraremos outras duas colunas.
Duas colunas que se esqueceram dos planos, dos olhos, do toque tão próximo, tão próximo...
Da vontade que nos uniam, das teimosias que... nos uniam.
Da incompreensão que, pacientemente, procurava compreender.
Da intolerância que, insistentemente, tentava suportar.
Por que valia a pena.
Aquela fôrma mágica, aquela peça única que nós dois formávamos quando estávamos juntos, de onde saiam ideias brilhantes, projetos ousados, desejos recíprocos... vai se desvencilhar, se decompor.
E a jornada solitária em busca do preenchimento do vazio vai se iniciar.
Tão assustadora no início.
Toda cheia de inseguranças e apontamentos duvidosos.
Os riscos, os medos, os traumas. Tão próximos, tão próximos...
Às vezes vai bater a saudade.
Do beijo, do corpo, do abraço.
Dos dedos que, curiosos, percorriam cada centímetro do corpo como se fosse a primeira vez!
E se entrelaçavam forte, como quem dizia: "Você não vai a lugar nenhum, a não ser que eu vá junto!"
A voz que passou a ser como um cobertor para os dias frios.
A risada que sempre foi um sinal de alívio. "Ufa. Está tudo tão bem."
Mas muito mais da parceria.
Da certeza de ter com quem contar quando tudo ruir.
De ter com quem rir quando tudo fluir.
Ter para onde correr quando o mundo acabar!
A saudade de dizer e ouvir "É... até que a gente se dá bem!"
Um filme que eu já vi.
E agora me pego pensando:
Será que oito é mesmo bastante?
Oito é tão pouco...
Com tanto ainda pra se viver, pra descobrir, pra se encantar!
Oito apenas?
O que seria das mãos sem os polegares?
Apenas 8 dedos.
Que nada poderiam pinçar...
E a vida afora pronta para ser agarrada!
Nada de oito!
Vamos dar as mãos e ser vinte!
Vamos abraçar o mundo!
Vamos seguir em frente!
Tão próximos, tão próximos...
É só o que eu desejo...
Não dois distintos...
Mas tão próximos até que se tornem um apenas!
Há uma semana

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