Minha grosseria gritando muito alto e empurrando todos que estavam no meu caminho, passei como um touro:
"Caralho, blablabla blablabla, entendeu, porra?"
A evasão, o Daniel, minha ignorância, o braço, a traição.
As pessoas escondidas, as meninas escondidas na trincheira, os meninos que nos encontraram. A falta de piedade, o sofrimento.
Meu medo, desespero, minha fuga. Si por si.
O carro do 007 e minha astúcia.
O esconderijo do Batman, as centenas de portas do esconderijo. Subsolo.
A mulher-gato e o cachorrinho, o portão aberto, os robôs que ganharam vida.
Meu medo.
O mundo do The Sims.
(...)
Estou começando a esquecer.
(...)
A apresentação das meninas. Minha tentativa fracassada de liderar.
Minha ignorância, exclusão.
A solidariedade do meu irmão, a roupa de ballet.
Minha grosseria segurando a Sarinha pelos ombros e falando bem perto do rosto dela:
"Quando for montar uma coreografia, tenha certeza de ter passado pra todo mundo e não só pra algumas, ouviu? Porque eu não vou dançar porque ninguém me passou a coreografia."
"Tá."
O ódio daquela criança atrevida.
Quem não dançasse seria punido.
Sem ensaio e sem momento pra apresentação. Improviso?
Não sei, acordei.

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