Eu sempre quero viver pros outros.
Esqueço de viver pra mim.
Mas como faz isso?
Como viver para si?
Que sentido viver, senão para os outros?
- Eu sinto que faço bem pra ele, mãe.
- E ele faz bem pra você, filha?
- ...
- ...?
- ... acho que eu me sinto bem fazendo bem pra ele!
Então a vida é isso? Uma conversa?
Você, age, você acerta, você erra, você entende, conversa, e tá tudo resolvido?
Porque às vezes parece que é.
Ou será que eu abstraio tudo fácil demais?
(...)
Porque essa cidade vira as costas pra mim?
Porque ela não me dá uma mísera chance de recomeçar?
Porque ela se mostra como um intervalo, uma suspensão?
Me obriga a voltar e a superar.
Me obriga a projetar e arriscar.
Arriscar um plano, uma ideia. Um sonho?
Sonhos evaporam...
Puff!
E já era!
Será que depois uma conversa resolve?
(...)
Não tenho medo de ficar sozinha. Só tenho medo de ser esquecida.
Quantas vezes eu já disse isso?
Quantas vezes eu senti isso?
Quantas pessoas eu já esqueci?
Foi sem querer...
Não sou boa em agir.
Se elas ao menos pudessem ler meus pensamentos...
Não. Algumas vezes, esquecer foi necessário.
Ou pelo menos "aparentar esquecimento" foi necessário.
Ah, se pudessem ler meu pensamento...
Cairia tudo por terra?
(...)
Dezembro do ano passado: onde eu estava com a cabeça?
O que seriam daqueles planos se ali não fosse eu, fosse...?
Nada. Não mudaria nada.
Eu sei.
Que bom que eu sei.
Não vou esquecer nunca mais.
Nem que eu quisesse. Ou precisasse.
Acho que preciso.
O que aconteceu com o brilho nos meus olhos?
Puff!
Desapareceram como os sonhos.
Será que depois uma conversa resolve?
(...)
A maioria das pessoas são jovens por quanto tempo? Um minuto e meio?
Sinto que estou perdendo tempo.
Tempo.
FIlho da puta.
O que fazer com você?
Nunca, nunca saberei.
O ser mais soberano que eu conheço.
Sim, eu te respeito.
Não é a toa que dos obstáculos que enfrentei, você foi o primeiro que aprendi a lidar.
Aprendi a lidar muito bem, diga-se de passagem.
Hoje aqui, amanhã não se sabe...
Desde que eu tenha calma e maestria pra lidar com o tempo, vou saber esperar.
Será que é tudo questão de tempo?
A segunda coisa que penso: será que é tudo questão de dinheiro?
Só em terceiro lugar pensei: será que tudo tem a ver com sentimentos?
Acho que não estou com o psicológico integralmente sadio pra pensar sobre isso.
Mas eu quero!
Tempo. O tempo é a base da estrutura. Porque é o único fator entre os 3 sobre o qual não temos nenhuma autonomia. Ou você aprende e aceita que ele é completamente alheio à sua vontade ou você penará em seus braços.
Dinheiro. É meio. É instrumento. É, infelizmente, necessário. Intermedeia. De que adianta o sentimento aprender a lidar com o tempo sem meios para realização? Podemos manuseá-lo, mas de certa forma, não podemos nos desvincular dele.
Sentimento. O mais fluido. O mais frágil e o mais palpável dos fatores. Temos poder sobre ele? Talvez. Podemos aprender a lidar com ele! Sim! O que é interessante, é que às vezes ele pode ser avassalador. E quando isso acontece, não há tempo ou dinheiro que o impeça de sobressair. A soberania do sentimento perante tempo e dinheiro.
Dinheiro não consegue ser absoluto perante tempo e sentimento.
Mas... Droga. O tempo ainda consegue vencer tudo.
O tempo leva seu dinheiro. Apaga e reacende sentimentos à bel prazer.
Sentimento...
É, faz sentido eu ter aprendido a lidar com o tempo primeiro.
Estou em fase de transição nessa questão de lidar com sentimentos... é muito complexo!
É quase tão autônomo quanto o tempo.
Dinheiro é consequência. É sempre consequência.
Da mesma forma que a merda é consequência da refeição.
Dinheiro é resultado de saber lidar com o tempo e seus sentimentos.
Pelo menos pra mim tem sido assim.
Dinheiro é merda sem tempo e sentimentos no lugar.
Jackie cane was everybody's sugar...
Salty days for jackie cane!
Não, eu não quero me prender.
Não quero mais me apegar!
Há 6 dias

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