24.1.08

Amor platônico


Eu sou apenas alguém ou até mesmo ninguém.
Talvez alguém invisível que o admira a distância
sem a menor esperança de um dia tornar-me visível.
E você?
Você é o motivo do meu amanhecer,
é a minha angustia ao anoitecer.
Você é o brinquedo caro e eu a crianca pobre,
a menina solitaria que quer ter o que não pode.
Dona de um amor sublime mas culpada por quere-lo,
como quem o olha na vitrine mas jamais podera te-lo.
Eu sei de todas as suas tristezas e alegrias
mas você nada sabes
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia.
Nem sequer que eu existo.
É como um filme banal entre o figurante e a atriz principal.
Meu papel era irrelevante para contracenar no final.

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