Eu entendia muito bem tudo aquilo!
Era hora do cinema! Hora do show! Hora da janela! Hora das histórias! Hora das estrelas!
Era a hora do fone, das músicas... Da viagem!
Que viagem...
O inverno era perfeito!
As estrelas dançavam... Nunca mais houve céu como aquele...
No verão o vento era um amigo...
E o calor um desafio!
A noite era solitária...
Mas eu nunca me senti sozinha!
Eu nunca me senti sozinha naquele vazio todo...
Toda a energia da cidade, e aqui dentro uma observadora nata!
Absorvendo tudo, sempre esperta, sempre astuta.
Entre ônibus e caronas, chegava-se ao asfalto.
Ao assustador asfalto da Bom Jesus.
Diferente de tudo... Ermo, ameaçador.
A adrenalina sempre aumentava naqueles últimos 500m.
Até o momento de... respirar!
Aí parecia que eu podia ouvir a música de novo...
Sorrir de novo!
As escadas sempre pareciam estar me esperando.
E quase que conversavam comigo enquanto eu ia subindo, contando como foi vazio o fim de semana por lá, e que estavam felizes em me ver!
Eu abria a porta: a porta do meu mundo!
As escadas ficavam lá fora, ouvindo a minha feliz existência.
Ele era sempre claro, fresco, apesar de às vezes sujo.
Ele estava ali, do jeitinho que eu o deixei ao sair!
E eu chegava pra quebrar todo o tédio, pra bagunça-lo, colori-lo!
Sempre havia música.
O computador estava sempre ligado!
O banho era sempre um momento pra se cantar!
E observar o horizonte pela janela...
Quantas vezes não tomei banho com a lua?
Quantos jantares, quantos filmes, quantas cervejas?
E as depilações... sempre com a música ao fundo...
Quantas depilações em plena sala? Livre...
Algumas sextas-feiras atípicas, ouvindo o happy hour do escritório...
Pensando se aquilo acontecia sempre e eu não ficava pra ver...
Pensando se alguma vez desconfiariam que eu estava ali, e até me convidariam pra uma cerveja inocente - por que não?
E a música sempre ao fundo...
Era a primeira coisa ao acordar.
E a última coisa antes de dormir.
Aquele apartamento me recheou tanto.
Tantos projetos...
Quantos papeis picados?
Cola quente?
Tesoura?
Tecido?
E muita, muita música...
Momentos de loucura, epifania, inspiração.
Contemplação.
Da varanda. Do pôr do sol, da neblina, das pessoas.
Contemplação absoluta de mim mesma.
Uma viagem...
Dancei comigo mesma, falei comigo mesma, chorei comigo mesma, ri comigo mesma.
Ajudei a mim mesma. Amei a mim mesma.
E eu nunca me sentia sozinha.
E a música sempre estava ao fundo.
E não havia distração nenhuma...
E eu dançava no meio da sala, com os braços abertos, girando, girando...
"Rainbow flows across the sky
And kites are rising high alive
And cotton clouds they're passing by..."
E caia na risada!And cotton clouds they're passing by..."
Às vezes alto! Alto! Como nunca mais!
E era tão bonito... Tão inocente...
Tão sincero... Tão feliz...
Depois ficava um silêncio...
Mas eu ainda assim não me sentia sozinha, muito menos vazia...
Eu enchia aquele lugar de uma forma incrível!
E às vezes eu descia só pra ver se as escadas ainda estavam ali...
E ficava perto do portão, sentada, vendo os carros através do vidro...
Quietinha...
Mas quando passava alguém a pé, a adrenalina aumentava!
Era incrível! Como se repentinamente eles fossem se virar e me ver lá dentro!
E adentrar! E me perseguir!
Subindo as escadas como um foguete!
Não me pegariam! HA-HA-HA
Que emoção!
Nunca aconteceu...
Mas foi como se já tivesse acontecido...
Quantos pesadelos, quantas chuvas, quanto pó, quantas luas...
E eu nunca me sentia sozinha.
E a música era a última coisa do dia a parar.
E eu ia pra cama cheia, cheia de mim...
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?
28?
31?
"My town,
My street,
My street,
My house,
My door,
My name,
My flets,
My window,
My world..."
My door,
My name,
My flets,
My window,
My world..."





































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