6.6.11

Pale Blue Dot

Ir para a cama e dormir meu sono.
Com a sensação de que é só o que me resta a fazer.

E em dias como esse, vou com a curiosa dúvida "Para onde vão as pessoas que não para a internet? Posto que para mim se apresenta a tanto como uma opção tão sólida e restrita?"
"O que faria eu num dia como esse, senão ficar sentada navegando, página atrás de página, a busca infindável por uma novidade, por um movimento, por um pouco de vida convertida em bytes?"

Eu já não lembro.


Já não é fácil lembrar como é o relacionamento habitual com meu irmão.
Nada que ultrapasse a sede de um reencontro.
Nada além da tentativa vã de evitar a dor da saudade e da despedida.
E a fuga daquela noção, de que talvez o hábito nunca volte.
Ou volte.
O amanhã é surpreendente.


Depois que você salta da cachoeira, a correnteza te leva mesmo que você não queira.
E tudo o que você pode fazer é boiar, sobreviver.
O sentido, o rio define.


Correnteza maldita.
Cruel.
Te desassossega quando você sente vontade de descansar.
Te enrosca num galho ou outro, te dá uma pausa, uma brecha, um folego, um suspiro.
Mas logo torna a te arrastar sem opção...



E te faz lembrar sempre ao acordar que a inércia é real.
E perigosa!

E que talvez esse seja o papel positivo da correnteza em sua vida: Te proteger da inércia, que é voraz!





Como o tempo, muitas vezes a inércia te persegue de maneira irresistível.
Eis que chega a correnteza e diz que não.
Você vai seguir.
Não.
Você vai aguardar.
Vamos.
É hora de seguir.



E você acaba gostando da correnteza que te leva daqui.
Mas ninguém entende realmente o porquê.

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