Com a cabeça a mil, foi difícil relaxar, sendo que passei a viagem toda muito inquieta.
Os primeiros 15 minutos de viagem renderam um tsuru. Aliás, estou muitíssimo satisfeita com ele. Não é todo dia que fazemos um tsuru a noite, dentro de um ônibus escuro em movimento, num papel de bala e sem apoio... ficou mais bonito que o grande feito no color set 15x15.
Viajar do lado esquerdo do ônibus também foi uma péssima idéia. Todos aqueles faróis dos carros que cruzavam com a gente vinham diretamente nos meus olhos. Agressão pura.
Mal deu pra ver o céu. Mas descobri que do lado esquerdo do ônibus, viajo bem embaixo do Cruzeiro do Sul. Isso foi bonito. E Vênus veio brilhando forte a viagem inteira! Nem as luzes das cidades por que passamos o intimidou.
Em algumas curvas, quando não cruzávamos com carro nenhum, o céu girava sobre minha cabeça. Foi o mais perto que cheguei de um transe nessa viagem.
Com os faróis me incomodando tanto, fechei os olhos. Me perdi em pensamentos. Sonhos, vontades, desejos e - pra ser um pouco mais pé no chão - planos.
Mas meus pensamentos me traíram. Começaram a adentrar em lembranças às quais não estou pronta pra encarar agora.
Traidor! Abri os olhos de raiva! Faria qualquer coisa pra afastar essas lembranças.
Cheguei a conclusão de que o lugar delas é no passado mesmo. Acho que nunca estarei pronta para revê-las...
Já entrando em Pouso Alegre, quando começou a tocar My World do Husky Rescue, percebi que o que faltou na minha viagem foi só isso. Um pouco de Husky Rescue.

*postando ao som de It's Natural To Be Afraid - Explosion In The Sky. E chá com pipoca.

Um comentário:
Muito bacana o texto.
Postar um comentário