2.6.10

Conduta

É curioso, e deprimente, perceber o quanto a sociedade está caminhando rumo à valorização das coisas mundanas em detrimento dos valores humanos. Acontecimentos recentes na minha vida me fizeram pensar diferente, digo, querer agir diferente.
Aliás, é interessante chamar a atenção para essa questão: pensar não altera nada.
Muita gente tem consciência de qual seria a melhor atitude em diversas situações, mas essa atitude não passa de um pensamento daquela pessoa, ao passo que, muitas pessoas agem da melhor forma e inconscientemente. Na minha opinião, ganha quem age, mesmo que sem pensar. É fundamental trazer para a prática tudo aquilo de bom que pensamos, pois pensar não altera situação nenhuma! (reitero!)
Após essa breve observação, e retomando o sentido do texto, venho defender uma opinião muito simples – mas na esfera filosófica, do pensamento, e não na práxis: que as pessoas se confraternizem mais e da melhor forma, ignorando as diferenças e considerando que todos são seres humanos dotados da mesma essência.
É inconcebível que em pleno século XXI, as pessoas não tenham essa visão humana. Nos tempos que vivemos, e após profunda reflexão de como eu vivi meus últimos anos, detectei falhas em minha conduta no sentido de não confraternizar de forma pura com as pessoas que cruzaram meu caminho. O que quero dizer é simples: a palavra de ordem agora é INTEGRAÇÃO. Em que sentido? Trocar idéias, experiências. Não julgar a sociedade sem antes conhecê-la. E a sociedade é feita de pessoas, por isso é importante conhecê-las de perto. Se você parar e refletir por 5 minutos, perceberá que oportunidades para isso não faltam. Todos os dias, uma multidão de opiniões vaga pelas ruas. Só que você não toma consciência e conhecimento.
Antes de desenvolver o tema, preciso dar créditos a meu irmão, que, sem dúvida, foi a pessoa mais influente para mim quando o assunto é integração. Foi ele quem trouxe para a minha vida essa expressão com esse sentido.
Prosseguindo, quero esclarecer o porquê da importância de conhecermos a nossa sociedade para, então, julgá-la.
A questão é que estamos cercados de problemas. Problemas de todas as ordens: econômicos, ambientais, políticos, mas todos são reflexo do maior deles, os problemas sociais. Para buscarmos solução a estes problemas, é preciso primeiro saber com o que estamos lidando.
Mas aí você pensa “Onde eu entro nisso? Eu vou solucionar os problemas da sociedade? Tenho essa capacidade?” Sim. Aliás, esqueça o Estado. Não será uma lei ou uma punição que porá fim ao preconceito. Mas você já parou pra pensar nas conseqüências de uma atitude sua? Somos nós, membros da sociedade, que damos vida a ela e que influenciamos de maneira mais direta e eficaz que qualquer programa político que possa ser criado. Vale lembrar que política não tem a ver só com administração pública, mas com atitudes que você toma no dia-dia, em casa, no trabalho e em todos os lugares. Seja um ser político! (Relaxe.. para isso, não é preciso ser membro de nosso Parlamento corrupto!)
Não estou dizendo que devemos agir no lugar do Estado quando este é omisso em suas funções, mas que devemos agir como seres humanos em tudo o que nos cabe.
O que me fez querer escrever sobre tudo isso, foi um brevíssimo tópico numa aula de filosofia em que começamos a ver um vídeo sobre Direitos Humanos e a já citada análise feita sobre meus anos anteriores, combinados com um texto que li no perfil de um amigo, cuja autoria desconheço. De todo esse texto, que é incrivelmente sensato e bom, o final me chama muito a atenção e traz a idéia de que as coisas que possuímos na verdade nos possui, e que só seremos realmente livres quando perdermos todas essas coisas, pois daí não teremos mais nada a perder e estaremos livres.
Essa idéia final do texto é tão inteligente e sublime que às vezes me parece até óbvia! Pra quem não pegou o espírito da coisa: a intenção do texto é dizer que se sua existência está condicionada a possuir coisas, então você é um fracassado, pois no primeiro momento que você se ver privado dessas coisas não terá uma base forte onde se manter. Por isso é importante (e, caso você queira ser mais frio e calculista, muito mais inteligente!) basear nossa vida em valores, pessoas, bens incorpóreos e de valores imensuráveis, que você certamente não perderá com facilidade, e talvez nunca perderá!
Ilustrando: considerando tudo o que pode acontecer nessa vida a uma pessoa, qual você acha que será mais forte pra enfrentá-la, aquela que sorri sem discriminação para homens, mulheres, crianças, idosos, negros, brancos, ricos, pobres, ou aquela que se não estiver usando o tênis da moda, não sai de casa?
Bom, tirem suas próprias conclusões.
O que me dá fundamentos pra dizer tudo isso, é o pouco de “bagagem de integração” que trago comigo. Já tive oportunidade de conviver com diferentes pessoas, em diferentes grupos e situações, e pude identificar 2 tipos bem genéricos: os extremos e o meio-termo.
No primeiro grupo, dos extremos, temos o lado positivo e o negativo. O lado positivo é composto pelas pessoas que têm consciência do mundo em que vivem e tomam algumas atitudes procurando mudar o que precisa ser mudado. Esse grupo é positivo porque, como eu disse antes, preocupam-se em agir e não só em pensar. Mas, algo me preocupa nele: as pessoas podem habituar-se a certas atitudes e conformar-se em agir assim, não praticando a reflexão constante acerca do mundo e ficando desatualizadas para com ele. O lado negativo do grupo dos extremistas é o que eu, com o perdão da palavra, mais repugno. As pessoas que compõem esse grupo são mesquinhas, desinteressantes, praticamente anencéfalas. Pessoas que você percebe com pouco tempo de convivência que não criarão consciência do mundo no sentido lato. Passarão pela vida preocupadas apenas com seu próprio mundinho e com seu nariz. Essas pessoas gostam de comprar roupas não por necessidade, mas porque a moda muda toda semana. Não tem 10 minutos do seu tempo para lavar e separar as embalagens usadas naquele dia para fins de reciclagem. Economizar água e energia é algo que nem passa pela cabeça delas. Elas tiram o carro da garagem para ir até a academia andar na esteira por uma hora. Eu não tenho muito o que comentar desse grupo. Geralmente, não precisamos perder muito tempo analisando-o, pois ele fala por si só.
E por fim, mas não menos importante, minhas pessoas preferidas (e as mais criticadas pela maioria): os meio-termo.
Eu sou daqueles que acredita que tudo em excesso faz mal, e isso já é pré-requisito pra gostar desse grupo. Mas antes de encerrar por aí, vou fundamentar porquê acredito que a sociedade deveria caminhar no meio-termo.
Primeiro, porque olhamos para os meio-termo e assumimos seus defeitos. E isso não é ruim, afinal, somos seres humanos dotados de defeitos e imperfeições. Pior do que assumi-los é querer escondê-los. Os meio-termo têm sim seus defeitos, mas tem uma característica muita forte que pra mim prevalece: são dotados de opinião mutável. Sim. Você deve estar pensando que isso é um defeito, e por isso eles são tão criticados, mas eu enxergo aí o seu maior trunfo. A partir do momento que os meio-termo são capazes de assistir o mundo, raciocinar sobre ele e mudar sua opinião, tornam-se sempre atuais e dispostos a agir (deixando sempre claro a importância da atitude!). São as melhores pessoas para se praticar a integração, pois são as mais passíveis de criar e atualizar sua consciência para com o mundo e caminhar e encaminhá-lo no melhor sentido!
Após toda a explanação, quero concluir deixando meu objetivo daqui pra frente, fundamentado supra: integrar mais! Viver mais a partir da vivência alheia! Descobrir o que o próximo pensa e o que ele pode trazer a mais para minha consciência! Trocar mais idéias! Influenciar e ser influenciada quando isso for para o bem! Conhecer culturas! Problematizar! Questionar! Dialogar!
Então, aqui deixo um conselho: na próxima vez que alguém cruzar o seu caminho, não seja um ser desprezível! Dê uma chance para aquela pessoa e para si mesmo de evoluirem juntas!
Integração!

=)
Tchau.
Fui socializar.

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