4.10.11

CANÇÃO DE NINAR

Me dá só um pouquinho de você agora.
E depois me desliga.
Me empresta pelo menos sua imagem
E a lembrança de todos os momentos bons.
Sem chuva, sem álcool, não consigo pegar no sono.
Quem sabe a impossibilidade de você
Faça minha mente fugir daqui.

COROADA

No dia que meu mundo explodiu
Olhei pro dipirona e falei:
- Finge que eu peso 60!
E meti 30 gotas num copo

Virei a dose como se fosse um drink
O amargo mais doce do dia.
A meia luz do abajour me castigava
- Pelo que estou pagando afinal?

Vá dormir, menina exemplar
Reconstrua seu mundo sozinha
Pare de tentar entender
Porque sonhar é bom, mas tão breve...

Quando acordar será uma nova noite.
A primeira hora do dia seguinte.
E terá seu império particular
Esperando pra te ver despertar.

DESCARGA

Deitada na cama
As pernas pra cima
Olhando minhas pintas
O desenho que elas fazem

Lágrimas rolando
Cabeça explodindo
E eu imaginando
Se a dor pararia com o teto desabando

Eu.
Essa figura patética
Bancando a poética
Letrando um desastre

Comprimindo os problemas
Pra jogar num copo d'água
Vê-los enfervencer
Depois jogar fora.

Não, não vou beber
Pois acho que vai doer
Alguns problemas eu não engulo mais
Eles merecem o ralo.

CARMA AFIADO

Um dia desses a gente se encontrou
Por pouco tempo, mas já fiquei contente!
De sua promessa, ele se lembrou
Deu sua palavra e me trouxe um presente...

Ele me deu uma arma!
Ele me deu uma arma!

É engraçado que isso esteja comigo
Um canivete que ganhei de um amigo
Um segredinho que carrego na bolsa
Acho prudente que ninguém ouça (que...)

Ele me deu uma arma!
Ele me deu uma arma!

Até que um dia, me peguei pensando
Como agiria com alguém me roubando
- Essa sua arma não vai me assustar!
Também tenho uma... mas não sei usar!

Agora esse é meu carma!
Agora esse é meu carma!

Carrego um carma na bolsa!
Carrego um carma na bolsa!

2.10.11

Domingo

Hoje eu virei meu quarto inteiro.
Já fazia um tempo que eu queria fazer isso.
Fora que mexer na disposição dos móveis é uma das formas mais fáceis de limpar e colocar as coisas no lugar.
Com tudo de cabeça pra baixo, você acaba sendo obrigado a fazer isso.

Acordei e, ainda na cama, fiquei olhando pro quarto todo.
"Não tá bom assim, como posso fazer..."
Dei um pulo, liguei o computador, coloquei uma música e voltei rapidinho pra cama antes que perdesse a inspiração.
Deitei, olhei pra direita:
"Empurro o armário e a cama vai pra lá. O resto eu decido depois."

Dei outro pulo, fui até a cozinha, peguei a vassoura e comecei.
Arrasta móvel, varre, arrasta, pega, joga fora, separa, guarda, olha.

Tive ideias pras mesas.
Mas antes parei pra tomar café.

No fim das contas, dos 7 "setores" do meu quarto, só um permaneceu intacto.
O resto mudou tudo.
Cama, armário, escrivaninha do computador, mesa dos origamis, banco ao lado da cama, cesto de sapatos...

Independente de como ficaria, eu já estava satisfeita por ter colocado a cama perto da parede!
Aquele trombolho atravessando o meio do quarto não era nada prático.
Vai ser bom dormir perto da parede, acordar olhando direto pra janela...
Tudo ficou como eu queria.

Joguei muita coisa fora, guardei tudo o que estava fora do lugar, tirei muito pó dos móveis, dei um jeito nas roupas que estavam espalhadas por aí...
Agora que tudo está sob controle de novo, me sinto melhor.

Varri, passei pano e fui pra cozinha.

Pro almoço fiz uma salada de alface e tomate, escondidinho (pure de batata com carne moída) e um arroz.
Muito simples, mas muito gostoso.
E de sobremesa, o delicioso alpino!

E pro domingo continuar ótimo, vou fazer um marcador de página agora, pendurar roupa no varal, depois tomar um bom banho, ler um pouco, ver um filme...








Ah!!! O Projeto de Pesquisa de Monografia.
Tinha que ter algo pra estragar!!

HABITUAL

Abro os meus olhos , vejo mais uma vez
As mesmas paredes, o quadro que ele fez
Cansada de de novo nesse quarto acordar.
Resolvi agir: mudei os móveis de lugar.

Na hora do almoço a rotina se mostra
Todo dia a mesma história, a mesma bosta.
Mas hoje não, hoje eu vou fazer diferente.
Pra comer fora levei a mesa pro alpendre.

Aqui nessa varanda as coisas não são iguais.
Sinto a brisa e logo penso “buzinas infernais”
O que me falta é companhia, sei o que fazer:
Volto pra sala, o mesmo sofá, e ligo a tv.

Mais uma vez então a noite está pra chegar
Pensamentos giram no meu globo ocular
Ritual do sono fechando a rotina
Mais - ou menos - um dia pra essa menina...

1.10.11

Logo eu

Quanto tempo levou pra que as músicas fizessem algum sentido?
Então não tem que ser ruim, certo?




Estou na mesma
Sem novidade
Sem surpresa
À espera
De que a noite ponha a mesa

Estou de boa
Nem apressado
Nem à toa
Vou levando
E lá fora a vida voa

É diferente
Estar assim
Indiferente
Logo eu
Que sempre fui oito ou oitenta

É incomum
Ficar assim
Querer nenhum
Logo eu
Que sempre fui tão de veneta

Falta sal, falta pimenta
Falta paixão violenta
Falta cheiro, falta cor
Falta morrer de amor
Falta eu gritar
Até me faltar o ar
Falta ver você voltar
Falta até ver você voltar
... você voltar!